Vacinas compradas por Goiás ficarão aqui, diz governo

Governador defende a tese de que as doses adquiridas pelos estados sejam incluídas no Plano Nacional de Imunização

As vacinas que o estado de Goiás pretende comprar serão destinadas aos goianos. É o que garantiu a assessoria do governo do estado ao Mais Goiás. De acordo com o Palácio das Esmeraldas, as doses serão disponibilizadas ao Plano Nacional de Imunização (PNI), mas serão destinadas à população do estado integralmente.

O governo explicou que a responsabilidade pela aquisição e distribuição das vacinas é do Ministério da Saúde e que os R$ 60 milhões aprovados para a compra dos imunizantes irão incorporar com recursos de outros estados para a compra de um lote maior. Ainda de acordo com o Palácio, o governador Ronaldo Caiado (DEM) participará de uma comitiva que irá à Rússia para avaliar a compra de doses.

Nesta quarta-feira (24), o governador disse em entrevista coletiva que não iria tomar uma atitude egoísta e que não faria qualquer ação pensando exclusivamente no estado. “Se essa alternativa foi dada pelo Supremo (STF), vamos atrás dela”, disse o governador. “Vamos usar todo o nosso prestígio internacional com as embaixadas, com os contatos que nós temos. Vamos buscar cada vez mais. Sem ter o gesto egoísta de achar que vamos fazer qualquer aquisição pensando única e exclusivamente em nós. Essa é uma tese que nós temos que respeitar: vidas”.

Caiado é um dos defensores de que as doses compradas pelos estados sejam entregues ao PNI. A questão é que, se forem disponibilizadas ao plano, as doses precisam obedecer as etapas estabelecidas pelo Ministério da Saúde (MS). De acordo com a pasta, a distribuição acontece de forma proporcional e igualitária, de acordo com o  Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19, que prevê os grupos prioritários. A discussão sobre a distribuição dos imunizantes adquiridos com recursos dos estados acontece no Fórum de Governadores.

Debate sobre a distribuição das vacinas

Entretanto, a posição do governo de Goiás não é unânime. Alguns estados já comunicaram que irão adquirir vacinas para atender suas populações. O governador de São Paulo, João Dória, anunciou que irá comprar 20 milhões de vacinas para imunizar os paulistas. As doses serão compradas no Instituto Butantan e, segundo ele, não irão afetar a distribuição nacional da CoronaVac.

Em entrevista ao Correio Braziliense, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Carlos Lula, afirmou que ainda não há consenso entre os estados. Ele ressaltou que há o perigo de que essa situação gere uma competição entre para a aquisição das vacinas.

“Há quem defenda que qualquer compra seja entregue ao PNI para partilha igualitária entre os estados. Mas isso está longe de ser um consenso e acende a polêmica de que estados mais ricos saiam na frente, gerando iniquidade e comprometendo uma estratégia, que é coletiva”, disse o presidente.

Carlos ressaltou, entretanto, que é necessário fazer algo para que as vacinas cheguem rapidamente. Para ele, o Ministério da Saúde está sendo lento no fechamento dos contratos com as farmacêuticas.

“O ideal e necessário era que o governo federal realizasse seu papel. Tendo em vista que a entrega ocorre a conta-gotas, e o Planalto não aceita os termos das farmacêuticas, não há razão para colocar mais empecilhos para as compras por parte dos estados e municípios”, concluiu.

Recurso liberado

O recurso para a compra das vacinas foi aprovado em segunda votação na tarde desta quinta-feira (25) pela Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Foi aberto um crédito extraordinário de R$ 60 milhões em favor do Fundo Estadual de Saúde (FES) para aquisição dos imunizantes. O presidente da casa, Lissauer Vieira (PSB), disse ao Mais Goiás que o legislativo cumpriu o seu papel, mas que a questão logística e de distribuição cabe ao poder executivo.

“Cumprimos o nosso papel, que é de propiciar ao estado a compra das vacinas. Isso [a distribuição] fica a cargo do governo e da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Aprovamos o projeto por unanimidade e agora o governo do estado tem que cumprir o papel dele, que é cuidar da logística e da vacinação da população”, disse Lissauer.

A autorização do crédito foi solicitada pelo governo do estado nesta quarta. Entretanto, o recurso só será utilizado caso o governo federal descumpra o plano nacional de vacinação e passe a vigorar o salvo-conduto do Supremo Tribunal Federal para que os estados negociem os seus próprios carregamentos de vacina.